Archive for the ‘Maria Bethânia’ Category

79 – Maria Bethânia – Álibi (1978)

abril 8, 2009

Em 1978, quando ninguém pensava em CDs, a pirataria não assombrava as gravadoras e Roberto Carlos reinava, soberano, Maria Bethânia vendeu impressionantes 800 mil cópias do LP (isso mesmo, um long play) Álibi – feito, até então, inédito e impensável para uma cantora brasileira.

O repertório reuniu clássicos como Negue e Ronda e lançou Explode Coração, sedimentando a parceria de sucesso entre a intérprete e o compositor Gonzaguinha. Trinta anos depois, Bethânia ainda se espanta com a repercussão do disco. “Nossa, quanto tempo, não é? O repertório tocar como tocou foi sorte, não achei que seria esse sucesso todo”, diz, modesta.

Dois anos antes, quando ainda era considerada uma cantora de elite, a baiana ganhou seu primeiro disco de ouro (100 mil cópias) pelo LP Pássaro Proibido. A faixa Olhos nos Olhos, de Chico Buarque, bateu recordes de execução nas AMs e FMs de todo o país.

Mas o sucesso de Álibi marcou: “O clima de gravação era ótimo. Tudo que envolveu o disco foi bom demais, as canções, o show, lembrar de Negue, que era uma canção que eu conhecia desde menina”.

O disco trazia, ainda, a gravação da proibida Cálice e duas participações em músicas que virariam clássicos da MPB. “Seria óbvio que eu gravasse um samba com Alcione e uma música do Chico (Buarque) com a Gal, mas como sou esquisitinha resolvi fazer o contrário”, diz Bethânia sobre as gravações de Sonho Meu e O Meu Amor, respectivamente. “Quando eu recebi o convite de Bethânia para gravar, fiquei bestinha, por partir de quem partiu e pela música que é tudo, até hoje”, diz a amiga Alcione.

O sucesso fez com que a fórmula fosse repetida nos discos posteriores. “Amei fazer o Mel porque tinha uma coisa calorosa, tinha o Wally (Salomão), um poeta que revirava o mundo. Mel era safadinho, mas quando chegou no Talismã já começou a dar errado, comecei a complicar as coisas para eles (a gravadora)”, conta.

Hoje ela não acredita numa reedição daquele sucesso: “As coisas não se repetem, principalmente para o artista, que é movido pelo mundo. Não faria o mesmo disco, adoro ouvi-lo, mas não seria a mesma coisa”.

Tracklist:

1. Diamante Verdadeiro

2. Álibi

3. O Meu Amor

4. A Voz de Uma Pessoa Vitoriosa

5. Ronda

6. Explode Coração

7. Negue

8. Sonho Meu

9. De Todas As Maneiras

10. Cálice

11. Interior

Maria Bethânia – Alibi (1978)

95 – Caetano & Bethania & Gal & Gil-Doces Barbaros (1976)

março 24, 2009


Doces Bárbaros é o nome de um grupo de MPB dos anos 70 formado por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa. O grupo surgiu para comemorar os 10 anos de carreira solo dos seus componentes, que pretendiam além de realizar shows, gravar um disco ao vivo e registrar tudo em um documentário.

Como grupo, Doces Bárbaros pode ser descrito como uma típica banda hippie dos anos 70, mas sua característica marcante é a brasilidade e o regionalismo baiano, naturalidade de todos os integrantes.

O disco de 1976 é considerado por muitos uma obra-prima da música brasileira, mas, curiosamente, na época do lançamento, foi duramente criticado.

Idealizada por Maria Bethânia, a banda interpretou composições de Caetano e Gil, fora algumas canções de outros compositores como Fé cega, faca amolada de Milton Nascimento e o clássico popular Atiraste uma pedra, de Herivelto Martins.

Inicialmente o disco LP seria gravado em estúdio, mas por sugestão de Gal e Bethânia, foi o espetáculo que ficou registrado, sendo quatro daquelas canções gravadas pouco tempo antes no compacto duplo de estúdio, com as canções Esotérico, Chuckberry fields forever, São João Xangô Menino e O seu amor, todas gravações raras.

Na época da turnê, Gilberto Gil foi preso por porte de drogas, fato que acabou sendo registrado no documentário Doces Barbaros, dirigido por Jom Tob Azulay.

Depois disso já foi feito outro filme comemorativo, DVD, enredo da escola de samba GRES Estação Primeira de Mangueira, já comandaram trio elétrico no carnaval de Salvador, fizeram espetáculos na praia de Copacabana e uma apresentação para a Rainha da Inglaterra.

Faixas:
Disco 1
01. Eu e Ela Estávamos Ali Encostados na Parede

02. Esotérico

03. Eu Te Amo

04. O Seu Amor

05. Quando

06. Pé Quente, Cabeça Fria

07. Peixe
08. Um Índio

09. São João, Xangô Menino

10. Nós Por Exemplo

11. Os Mais Doces Bárbaros

Disco 2


01. Os Mais Doces Bárbaros

02. Fé cega Faca Amolada

03. Atiraste – Uma Pedra

04. Pássaro Proibido

05. Chuck Berry Fields Forever

06. Gênesis

07. Tárasca Guidon

Caetano & Bethania & Gal & Gil-Doces Barbaros (1976)